A cúpula do PSDB em Mato Grosso do Sul ouviu o que queria nesta tarde de seu candidato à presidência da República nas eleições de outubro, José Serra. Ele prometeu que, se eleito, seu governo vai duplicar a BR-163, a rodovia com maior movimento em Mato Grosso do Sul e a que tem mais mortes por acidentes automobilísticos.
Essa era a principal reivindicação que o PSDB do Estado informou que faria a Serra.Em resposta, ele disse que “a rodovia da morte tem que acabar” e acrescentou que o principal intuito da duplicação é poupar vidas. A BR-163 corta o Estado de Norte a Sul e é a principal via de escoamento da produção agrícola e por isso mesmo muitos dos acidentes ocorridos envolvem veículos pesados.
Serra, durante evento político no clube Estoril que marca o apoio do governador André Puccinelli (PMDB), disse que a duplicação deverá ser feita em conjunto com o governador, o que revela sua aposta na reeleição dele. Ele disse que, mesmo que haja uma decisão de estadualizar a rodovia, o apoio do governo federal para a duplicação está garantido.
O ex-governador de São Paulo aproveitou para elogiar as estradas do estado vizinho e destacar que as duas piores são federais.
Segurança - Serra também falou de seus projetos para segurança, com criação de um ministério específico. Segundo ele, a situação do tráfico de drogas pela fronteira do Brasil com a Bolívia precisa de rigidez e de aumento no efetivo.
“O atual governo boliviano tem feito corpo mole para combater as drogas. No caso do Brasil, uma situação diplomática não resolve. É preciso endurecer para frear o trânsito de entorpecentes pelo Brasil, o que acontece também pelo Mato Grosso do Sul”, declarou o tucano. A estratégia é aumentar o efetivo de repressão ao tráfico nas regiões principais da fronteira com os países produtores de drogas.
Segundo Serra, o Brasil nunca demonstrou preocupação com o tráfico de drogas, só vindo a montar um plano de combate no meio deste ano. “A intenção não é acabar com a atividade criminosa, mas criar popularidade para a candidata do PT”, afirmou, referindo-se à Dilma Roussef.
O plano de combate ao tráfico é vazio e que a reabilitação e educação são as armas para evitar o aumento no número de usuários, que alimentam o comércio de entorpecentes. “A situação é grave, o governo tem fechado os olhos. Tanto que o SUS não paga leito para dependente químico”, falou Serra.
O candidato reforçou que a crítica não é contra a Bolívia, mas contrária ao governo de Evo Morales. No período da ditadura, Serra contou que se exilou no país de fronteira e que fez muitos amigos.
Ferrovia e álcool - Ele também citou como projetos econômicos que pretende apoiar o prolongamento da Ferroeste de Maracaju ao Paraná, para melhorar o escoamento de grãos e da instalação de novas indústrias de produção de álcool e do poliduto para distribuição do produto. Sobre isso, lembrou que Mato Grosso do Sul é o segundo pólo produtor do País e que o primeiro, São Paulo, já não dispõe de terras para plantio de cana-de-açúcar.
O candidato do PSDB comentou a necessidade de ampliar o Aeroporto Internacional de Campo Grande, que segundo ele está congestionado, e disse que isso beneficiaria o transporte aéreo de toda a região Centro-Oeste.
As afirmações foram feitas durante entrevista coletiva, em que Serra pediu aos jornalistas para falar de assuntos relacionados ao Estado que não lhe foram perguntadas, demonstrando que ele e sua equipe haviam estudado os problemas estaduais.