Em reunião com diretores da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), na tarde de hoje (19), o pré-candidato a governador Zeca do PT propôs a criação de fundos setoriais para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, com recursos advindos do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento Rodoviário de Mato Grosso do Sul) ou mesmo de outra fonte, e geridos em conjunto pelas entidades de classe e o governo.
Os fundos atenderiam, em princípio, a agricultura e a pecuária, sugeriu o governador, porém outros setores podem ser incluídos. “O Fundersul foi criado por nós, como alternativa para recuperar as estradas. Mato Grosso copiou e aperfeiçoou, enquanto o atual governador, que prometeu acabar com o fundo, dobrou a arrecadação e acabou com a gestão transparente”, disse Zeca.
A ideia foi bem recebida pelos diretores da Famasul. Por mais de uma hora, eles ouviram Zeca explanar as propostas para o que chama de “projeto de desenvolvimento que mire para o futuro”. “Nós trouxemos as indústrias para Mato Grosso do Sul. Abolimos o binômio boi-soja. Implantamos a infraestrutura, preparamos o Estado para o crescimento sustentável. Essa demanda já foi superada. Hoje precisamos de um projeto que mire para o futuro, precisamos discutir a escola integral, uma política séria de combate às drogas. Nós estamos perdendo a guerra para o crack. Em Dourados, quando eu falei nisso, um médico me chamou e disse: Zeca, você não tem noção do que está dizendo. Aqui tem pais que amarram o filho em casa e vão eles mesmo, na boca de fumo, comprar o crack para o filho fumar em casa. Pelo menos têm certeza de que não vai morrer na rua.”
Novamente o pré-candidato se comprometeu a reativar os programas sociais, implantar um projeto de industrialização que seja capaz de levar emprego e riquezas para todo o Estado, a rever alíquotas de alguns produtos, como os combustíveis; bem como substituir o ICMS Garantido por outro mecanismo menos nocivo. “O terror fiscal voltou, os comerciantes estão assustados. Eles me procuram à noite, para dizer que não agüentam mais serem multados. Isso nós vamos acabar”.
“Nossa proposta é um projeto que supere o estado de arrogância, de soberba, de autoritarismo. Se não lhe é serviçal, não lhe serve. A professora levanta um cartaz escrito a mão, e é xingada. O cidadão segura uma faixa, e manda prender dizendo que é do PT. Não, não sou do PT, sou do Rotary, aquele é da Maçonaria, o outro do Lions, só estamos pedindo mais segurança”, citou Zeca, lembrando episódio ocorrido em Paranaíba em que um protesto pacífico foi reprimido com violência pela Polícia.
Propostas
O presidente da Famasul, Eduardo Riedel, disse que Zeca estava entre amigos e que a entidade está elaborando um documento, a partir de sugestões encaminhadas pelos sindicatos rurais, com propostas a serem entregues aos candidatos a governador. “O senhor será chamado novamente, aqui, para entregarmos esse documento e debatermos as propostas. A Famasul não tem candidato, mas tem diretrizes. Não apoiamos nomes, mas projetos.”
“O Zeca ouve mais, dá espaço para sugerir”, completou a tesoureira da Famasul, Lizete Brito. “Eu espero que o programa de governo dele incentive a atração de empresas, crie facilidades para o empresário que quer se instalar aqui”, disse.
Acompanharam Zeca na visita à Famasul, o presidente do PT, Marcus Garcia, o presidente de honra do PDT, João Leite Schimidt, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Franklin Mashrua, o ex-diretor da Iagro João Pará e o superintendente do Ibama, David Lourenço. Estavam presentes, além de Riedel e Lizete Brito, os diretores José Lemos Monteiro, Almir Dalpasquale, Dácio Queiroz e Antonio Carlos Vale.